Genética tem influência no desenvolvimento de sintomas alérgicos

Genética tem influência no desenvolvimento de sintomas alérgicos

É comum pessoas alérgicas relatarem histórico familiar, apesar de nessas últimas gerações esses processos terem se intensificado também pelo estilo de vida atual, alerta especialista

É cada vez mais comum um grande número de pessoas se queixarem de alergias que podem se manifestar através de rinites, asma, eczemas e também as alimentares. Apesar das alergias estarem associadas com fatores ambientais, a genética e a microbiota intestinal possuem um importante papel no desenvolvimento desses processos.

As alergias podem não ser desencadeadas apenas pelo pólen ou outras substâncias consideradas alergênicas. Pesquisas identificam, cada vez mais, fatores genéticos envolvidos no desenvolvimento do processo alérgico. A genética desempenha um papel importante nas chances de uma pessoa desenvolver sintomas alérgicos. É muito comum pessoas alérgicas relatarem histórico familiar, apesar de nessas últimas gerações esses processos terem se intensificado também pelo estilo de vida atual.

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Existem muitos tipos de alergias: as sazonais (inverno e primavera, principalmente) e as com reações severas a alguns alimentos, como amendoim e crustáceos, por exemplo. Quando se tem reações alérgicas a certas substâncias é porque o corpo faz uma forma ativa de imunoglobulina (IgE), um anticorpo que ativa células específicas, fazendo com que elas liberem determinadas substâncias. Essas substâncias causam os sintomas alérgicos.

A principal pergunta é: qual o gatilho para que algumas pessoas produza essa IgE na forma ativa? Para essa pergunta, a resposta parece estar muito vinculada aos fatores genéticos. Alguns estudos indicam que genes relacionados ao sistema imunológico estão envolvidos na ativação do processo alérgico. Esses genes regulam o sistema imunológico e quando apresentam algumas variantes, substâncias inofensivas passam a desencadear reações alérgicas.
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Alguns estudos realizados em gêmeos indicam que alergias ao amendoim, por exemplo, podem estar associadas aos genes HLA, mesmo grupo de genes que estão fortemente relacionados a doenças autoimunes. Além desses, outros genes também apresentam uma associação com desenvolvimento de diversas alergias alimentares, dermatites atópicas e asma.

A influência da microbiota individual na alergia e as vias moleculares ativadas pelas bactérias presentes no corpo também são responsáveis por modular a alergia alimentar mediada por IgE. Recentemente um estudo descobriu que o uso de antibióticos durante a infância aumentou o desenvolvimento da rinite alérgica. Ou seja, o uso de antibióticos de maneira recorrente pode alterar a microbiota e aumentar os riscos de alergias.

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Estudos adicionais sobre genes de alergia e como eles afetam a fase adulta e infantil podem um dia dar aos pesquisadores a capacidade de prever com precisão o desenvolvimento de alergias, mas a ciência ainda não chegou nessa realidade. Hoje, porém, as informações já permitem identificar pessoas mais expostas ao risco de desenvolverem processos alérgicos.

*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.

Fonte: globo.com  – por Lia Kubelka Back, Florianópolis